Apresentação

Não tente escapar dos erros dos outros; eles são inescapáveis. Tente apenas fugir dos seus próprios.
Marco Aurélio (imperador romano)

Sou formado pela Universidade de São Paulo em Ciência da Computação, e possuo um doutorado na mesma área pela Universidade de São Paulo e pela Université Paris-Sud (desde novembro de 2011). Meus interesses acadêmicos centram-se - de modo geral - em modelagem e análise automática, o que inclui verificação e métodos formais, engenharia de software e simulação multi-agente. Também tenho grande interesse nas ciências em geral, além de filosofia, artes, literatura e negócios.

Atualmente estou me dedicando principalmente a esse último ponto e espero fazer do Liberalis um negócio próspero para mim, meus clientes, associados e demais colaboradores.

Missão

Desenvolver teorias fundamentais que façam a humanidade progredir. Produzir ferramentas que auxiliem as pessoas a atingirem todo seu potencial, tornando-as mais eficientes, independentes e criativas.

Valores

Tenho certa obsessão pela verdade e um grande amor pela automação.

  • Endereços [ver todos os contatos]
  • Escritório.

    Endereço
    Ver no mapa
    Al. Santos, 200
    São Paulo - SP
    Brasil

Blog Social_rss_32

Comércio e capitalismo, bastiões da tolerância

Sexta, 25 de Julho de 2014, 09h56

por

"Não é da benevolência do açougueiro, cervejeiro ou padeiro que podemos esperar nosso jantar, mas sim do cuidado que tomam com seus próprios interesses." A célebre frase de Adam Smith é uma obviedade; no entanto, foi necessário que ele a dissesse. A prova está justamente na fama dessa máxima. Há coisas simples que precisam ser ditas, sob pena dos ignorantes dominarem o discurso -- e consequentemente, numa democracia, a sua e a minha vida.

A colocação do economista é verdadeira, claro, mas incompleta. Um leitor incauto poderia imaginar que, na falta de pagamento, o padeiro abandonaria seus fornos e ficaria sentado em sua poltrona lendo Aristóteles (sejamos generosos). Por alguns dias, talvez. Mas e quando precisasse fazer o pão para si mesmo? Se o senhor que produz a farinha tivesse a mesma idéia, estaria em apuros. Nem esmola poderia pedir, posto que o dinheiro não teria valor, acabou-se o comércio. O que faria então? Talvez chamasse o açougueiro e juntos fossem buscar, com as facas que antes passavam pelo gado, a farinha do agricultor. Ainda mais se o infeliz torcesse para o time errado. O que faria o leitor? Deixaria os filhos morrerem de fome em nome da boa vizinhança?

Todos os dias dou meu dinheiro para gente com quem pouco tenho em comum, e não raro para pessoas que eu adoraria enterrar vivas. Do mesmo modo, estou certo de que muitos dos meus clientes me colocariam numa forca se tivessem a oportunidade. Numa sociedade vibrante, muita gente vai pensar diferente, e por conseguinte se detestar. Uns por burrice mesmo, outros pelo simples fato de que a mente humana, em seu limitado tempo e escopo, só pode apreciar alguns ângulos da realidade. Todos concordam, porém, em comprar e vender uns dos outros. Podem não dizer, mas com atos provam seu acordo tácito: o dinheiro, destilado puro do comércio, nos une.

Marx dizia que o capitalista venderia a corda que seria usada para enforcá-lo. É essencialmente verdade! Todavia, ao contrário do que queria o barbudo esquentado, isso é antes um argumento a favor do capitalista. Ao menos para quem defende a coexistência, a tolerância e a paz. Não há comunista, por mais radical que seja, que não consiga comprar suas bandeiras, camisetas, bonés, hospedagem online e websites [1] de comerciantes burgueses, esses que estariam entre os primeiros a irem para os paredões depois da revolução. Dá para ser mais tolerante do que isso?

Não são, porém, as pessoas que refletem sobre as longínquas implicações de seus atos e assim decidem agir. Seria esperar demais de nossos semelhantes. Ocorre apenas que, nesse caso, a decisão local produz o ótimo global. Como já foi dito sem esse desvio matemático: "Laissez faire et laissez passer, le monde va de lui même!" (deixe fazer e deixe passar, o mundo move-se por si só!).

A "mão invisível" tem seus problemas, admito, mas não se pode facilmente negar a tolerância que incentiva. Também seria pensar pouco da humanidade se nosso convívio pacífico fosse reduzido apenas ao comércio. Todos temos amigos, e amizades valem mais do que ouro, como dizem. Acontece que somos em grande parte criaturas tribais, sectárias por natureza: para os amigos tudo, para os inimigos... O comércio une as tribos mais diversas, mesmo as que se detestam. O nacionalismo por vezes vence e derrama sangue, mas sem dúvida muito menos do que num mundo sub-comercial. Alguém já viu força maior para controlar os impulsos mais violentos do ser humano? Eu não.

O desenvolvimento capitalista [2] só aumenta essa tendência. Se tudo que seu vizinho tem a oferecer é uma mina de cobre, pode ser um bom negócio invadí-lo e levar o cobre sem pagar um tostão. Mas se ele inventa coisas bacanas como computadores, utensílios domésticos, livros e cervejas especiais, sua incursão militar provavelmente esmagaria tudo isso junto. Aquilo que é produto da natureza pode ser tomado de modo relativamente fácil; mas a mente criativa do homem é inconquistável -- pode ser morta, silenciada e deformada, mas não subjugada e forçada a trabalhar sem perder alguma qualidade fundamental.

Todos os regimes comunistas de que se tem notícia alardeavam as mais nobres intenções pacificadoras. Sejam elas sinceras ou não, o resultado dessas políticas anti-comerciais se fizeram sentir invariavelmente: perseguidos de toda espécie, polícias secretas, pobreza, mercados negros, assassinatos em massa (quem precisa de reacionários?), ditadores e países-prisões (a idéia de "visto de saída" fala por si só). Na Alemanha oriental, até um muro fora construído para impedir a saída de seus habitantes, de tão fabulosas que eram as coisas lá dentro. O socialismo mais água-com-açúcar de hoje dá resultados menos dramáticos, porém mais cômicos: na Venezuela, onde o comércio está cada vez mais controlado pelas boas intenções estatais, notoriamente falta até papel higiênico. 

Há, por outro lado, o fato de que tolerância demais pode ser um problema. Pouca gente gosta de ladrões, assassinos, homens-bomba e estupradores. Ou ditaduras excêntricas com armamentos atômicos. Não vou me estender na análise do que deve ou não deve ser tolerado. Quero aqui apenas resgatar o comércio e o desenvolvimento capitalista da infame acusação de serem os motores do ódio e do conflito. Trata-se da correção de uma injustiça típica dos lamaçais de atraso intelectual. Se querem me acusar de irrealista ou extremista, que seja por isto: penso que idéias importam e definem os rumos do mundo (este mundo que pretendo deixar em melhor estado para os meus eventuais descendentes).

Posto tudo isso, e sob a mira da supracitada meta, resumamos o ponto central: o comércio capitalista é a maior força para a tolerância e a paz que a humanidade já conheceu, tanto dentro de um país como entre países; e quanto maior for o desenvolvimento econômico de uma sociedade capitalista, maior será essa força.

Vale ressaltar que trata-se de uma questão principalmente empírica. As coisas são do modo como são não por alguma necessidade a priori universal, mas simplesmente porque criaturas como nós atuam assim no mundo [3]. É possível que no futuro a experiência acumulada de mais tantos séculos ou milênios mostre uma realidade mais completa e diferente daquela que nos aparece agora. A alternativa, talvez, seja uma sociedade homogênea, sem as idiossincrasias dos indivíduos, mas também sem seus lampejos de genialidade; um mundo controlável não pelo acordo, mas pela inércia de alguma doutrina toda poderosa. Espécie de morte em vida, eu diria. Fico com a paz dos vivos.

---

Notas

[1] A Coréia do Norte, a mais perigosa e fechada ditadura comunista ainda existente no planeta, mantém tranquilamente seu site na Internet, tecnologia criada e largamente mantida pelos seus arqui-inimigos americanos. Conheçam: http://www.korea-dpr.com/

[2] É necessário introduzir o capitalismo nesse argumento para podermos diferenciar a situação atual do comércio de outras possíveis situações, como num regime mercantilista. Em todas o comércio é uma força para a tolerância. Mas numa economia que acumula e desenvolve capital (isto é, que aumenta e diversifica a riqueza total), está sujeita à livre-concorrência e resguarda a liberdade e propriedade individual, o efeito é muito maior.

[3] Para algumas evidências empíricas mensuráveis, convido o leitor a examinar este interessante mapa de liberdades econômicas no mundo de hoje e verificar quais países saem na frente. Note, em particular, que até os supostos socialistas nórdicos adotam políticas bastante comerciais.

O ódio criativo

Segunda, 07 de Julho de 2014, 15h14

por

O ser humano é uma criatura de hábitos. Ainda que pregue a mudança e o progresso, e realmente seja capaz disso, precisa antes vencer a inércia que o carrega quase que inconscientemente. Essa tendência para o regular manifesta-se de muitas formas, uma das quais ganhou notoriedade histórica durante a Revolução Industrial: o ódio pelas máquinas, encabeçado pelo que ficaria eternamente conhecido como Ludismo. Longe de estar arquivado por definitivo nos anais da História, um ranço semelhante ainda persiste hoje. Deparei-me com ele nas últimas semanas e dei-lhe um nome: é o ódio criativo.

Os fatos históricos concretos são bem conhecidos, mas por si só são inúteis. Sua interpretação faz toda a diferença e mostra como a nossa percepção da realidade é embebida em teoria. Assim, há ao menos dois modos de ver os eventos do século XIX: (i) máquinas mais avançadas começaram a tomar o lugar dos operários, que, temendo uma redução intolerável em sua qualidade de vida, reagiram destruindo-nas; ou (ii) máquinas mais eficientes aumentaram a produtividade do operário individual, liberando grande parte deles para novas aplicações, além de terem reduzido o custo dos bens de consumo para esses mesmos operários, embora boa parte dos trabalhadores afetados tenha sofrido com a mudança e reagiu destruindo o elemento local que mais diretamente parecia atacá-lo, as novas máquinas. A interpretação (ii) mostrou-se correta com o tempo, mas é fácil compreender por que o operário ludita não a viu: basta comparar o tamanho e a sofisticação de cada frase.

A destruição das máquinas industriais parece ter ficado no passado. Hoje são poucos os que defendem sua aniquilação, e menos ainda os que não se maravilham com o progresso rápido que a engenharia mecânica e eletrônica tem feito nas últimas décadas. O operário de hoje quer no máximo abocanhar parte dos lucros que elas produzem, ao invés de almejar a redução dele e seu patrão a um estado comum mais pobre e manual.

Todavia, como já se disse muitas vezes antes, hoje passamos por uma nova revolução. O nome definitivo que levará ainda está em aberto, mas por enquanto é conhecida como a Revolução da Informação. O que os teares, esteiras, polias e engrenagens fizeram para a produção de bens físicos no século XIX, hoje os computadores e as redes de comunicação fazem para a produção de bens intelectuais. Mostrando que plus ça change, plus c'est la même chose, esta revolução segue por um caminho curiosamente parecido. Examinemo-lo mediante um exemplo concreto de seus primórdios: a prensa de Gutemberg.

Sim, a mecanização da informação no mundo ocidental como o conhecemos não começou com os computadores do século XX, e sim com os tipos do século XIV. Como é tão comum com as tais revoluções, suas sementes são espalhadas por séculos até que um vento favorável as leve para o primeiro plano da História. Poucas coisas são mais lentas do que uma revolução digna do nome. E como toda revolução econômica, essa também deve ter causado estragos temporários: imaginem quantos copistas perderam seus empregos.

Seguindo nessa tradição, alcançamos outro invento, a máquina de escrever. Menos eficiente para grandes volumes, mas incomensuravelmente mais prática para o uso do escritor individual, o registro esporádico e até para a elaboração inicial das idéias destinadas à prensa. Um salto de produtividade para a mente, sem dúvida -- mas o início da lenta morte da grande arte da caligrafia [1].

Chegamos então ao computador pessoal moderno, fronteira na qual estamos. Quase ninguém mais usa máquinas de escrever, os processadores de texto (como Word da Microsoft) tomaram-lhe o lugar. Geralmente vê-se nisso um grande progresso. Eu vejo um anacronismo. O problema pode ser compreendido se observarmos que um computador é mais do que uma máquina que aumenta nossa produtividade intelectual; trata-se da máquina mais sofisticada possível para isso, no passado, presente e futuro. Esse é um resultado básico em Computação [2], normalmente relegado aos círculos acadêmicos, mas de importância prática enorme: certamente não é possível que a melhor aplicação para o ápice da conquista ferramental humana seja simular uma grosseira máquina de escrever -- que é essencialmente o que faz um processador de textos como o Word.

Ninguém realmente quer uma máquina de escrever digital. O que as pessoas querem é poder se exprimir de modo eficaz, trazer ao mundo suas idéias de modo organizado e eficiente. Esse é o propósito real por trás desse software tão corriqueiro, mas que permanece oculto porque foi concebido sem a idéia explícita de dar suporte ao intelecto do usuário (bastou-lhes dar suporte aos dedos e olhos) [3]. É necessário explicitar e investir nesse propósito maior e mais nobre, a batalha pelo futuro trave-se aqui.

Quando criei o Liberalis, mantive esse princípio em mente. A razão pela qual o meu usuário não pode "desenhar" a aparência do site não é preguiça minha, mas uma decisão crucial: o usuário deve se preocupar apenas com a informação que deseja transmitir (seu currículo, seus serviços, suas idéias, etc), e é responsabilidade da ferramenta dar a melhor aparência possível para essa informação. Nesse espírito, testei diversos motes para chamar a atenção do visitante na homepage. O que ganhou (i.e., o que fez mais pessoas criarem uma conta) foi este: "Esqueça programadores, designers e artistas. No nosso sistema, tudo é automático, simples e rápido" [4]. Não apenas encaixa-se perfeitamente na filosofia descrita acima, como também atende aos anseios dos consumidores. Ou seja, um lema excelente. Não obstante, foi aqui que me deparei com os herdeiros do Ludismo.

A maior parte dos consumidores que alcanço é muito receptiva a essa abordagem. Nas última semanas, porém, um dos meus anúncios no Facebook, destinado a freelancers, chegou à classe dos "designers e artistas". Não me passou pela cabeça que alguém poderia ficar ofendido com ele, posto que, comprovando ainda mais a hipótese inicial, foi um dos mais eficazes na categoria. Como pode ser visto em alguns dos comentários na figura abaixo, me enganei.

Se a propaganda dissesse que os programadores, artistas e designers são, digamos, todos picaretas, seria natural sentir-se ofendido. Mas tudo que o anúncio diz é que você não precisa deles para fazer um certo tipo de coisa (a saber, criar seu site de divulgação profissional). O motivo não é especificado, embora as qualidades do sistema sejam exaltadas em contraste com a contratação de serviços sob medida. Cada cliente que clica no anúncio e se registra no sistema tem seu motivo: uns porque serviços sob medida são caros, outros porque tiveram experiências ruins no passado, e outros simplesmente porque têm pressa e não querem complicações. Não foi, pois, exatamente a um sentimento de simples ofensa que os indignados reagiram. Foi o medo primal da obsolescência, o mesmo sentimento selvagem que guiou os luditas quase duzentos anos atrás. Não quebraram os servidores porque não podem, mas desabafaram sua raiva. "Nós, programadores, designers e artistas, somos essenciais, damos forma e função ao mundo, trazemos as idéias à vida; como alguém ousa sugerir que podemos ser substituídos?" Eis o ódio criativo.

Assim como os luditas, essas pessoas não só estão sendo guiadas por motivos escusos, mas sobretudo estão agindo contra seu próprio interesse de longo prazo. O que não percebem é que a capacidade de um programador, designer ou artista é muito mal aproveitada na confecção de artefatos funcionais concretos particulares, artesanais. Assim, não se trata de subsituí-los, mas de elevá-los a um novo patamar de possibilidades criativas, liberando-os das tarefas de baixo nível que agora as máquinas conseguem cada vez mais fazer. Por exemplo, ao invés de definir um design -- entendido aqui em seu sentido amplo, que inclui aspectos de software e de arte -- particular, o designer desse futuro que vislumbro poderá definir uma família de designs, empregando alguma espécie de técnica algorítmica para tanto. Sua criatividade ainda será fundamental, mas resultará não em um único bom resultado, e sim em cententas, milhares, ou até milhões, com apenas algumas horas de trabalho. Será uma criatividade de alta ordem, exponencialmente mais poderosa e produtiva. Essa será a norma, existirão ferramentas para tornar esse processo corriqueiro, e quase ninguém olhará para o passado com muita saudade. O design artesanal ainda existirá, mas estará restrito a alguns nichos e eventualmente será um luxo extravagante, mais ou menos como a caligrafia é hoje.

Algumas pistas desse futuro já podem ser vista, especialmente no tocante ao desenvolvimento de software para vários dispositivo diferentes. Por exemplo, há um esforço para que o mesmo programa que é exibido num desktop possa ser automaticamente adaptado e mostrado num dispositivo móvel como um smartphone, que tem características físicas bem diferentes [5]. Afinal, geralmente é mais barato fazer apenas um programa do que dois ou mais. Isso exige do designer um pensamento mais abstrato. É um começo humilde, mas evidencia as pressões econômicas que impulsionam o progresso.

No que se refere a mim, vejo o Liberalis como apenas um esboço nesse sentido, mas meu desejo é seguir cada vez mais nessa direção, principalmente com novos produtos. Os que escolhem esse caminho não são necessariamente oponentes dos criadores tradicionais, mas seus aliados em potencial. Eu particularmente tenho grande respeito pelos melhores entre eles e sei que há algo de intangível em seus espíritos, que dificilmente será reproduzido por meios artificiais [6], mas que sempre pode ser auxiliado. Há aqui ainda uma outra excelente possibilidade de colaboração, visto que o próprio processo criativo pode ser, ele mesmo, projetado e equipado com criatividade. Portanto, esse ódio que observei já nasceu obsoleto e está condenado à implosão; aceleremos esse processo! Somos mais fortes juntos.

 

---

Notas

[1] Da qual, devo dizer, sou um adepto. Não levei minha educação nesse sentido muito longe, mas sou orgulhoso do que aprendi e aprecio uma boa caligrafia. Me entristesse ver essa arte definhar.

[2] Me refiro aqui à Tese de Church-Turing, pela qual acredita-se que todos os mecanismos de computação geral imagináveis são essencialmente equivalentes com relação ao que conseguem computar.

[3] Existem sistemas menos conhecidos que seguem nessa linha mais inteligente, sobretudo permitindo a separação da apresentação do conteúdo. Um deles é o LaTeX, famoso na Ciência da Computação, mas desconhecido do público em geral. Não obstante, essas ferramentas ainda têm problemas fundamentais, e mesmo as capacidades que já oferecem ainda são de uso difícil para um usuário comum.

[4] Duas outras alternativas foram "Nosso objetivo é lhe fornecer as ferramentas necessárias para tornar-se independente na Internet." e "Neste exato momento, alguém está procurando por profissionais como você na Internet. Seja encontrado."

[5] Com relação a páginas da Web, isso é muitas vezes chamado de responsive design hoje em dia.

[6] Provavelmente não antes do problema maior da inteligência artificial forte ser resolvido.

A unidade bem e mal aplicada na indústria

Terça, 24 de Junho de 2014, 04h16

por

Expliquei anteriormente a importância do princípio da unidade. Resumidamente, a unidade de uma composição refere-se ao grau com que seus diversos elementos combinam-se para produzir um efeito total maior do que o que seria possível pela mera justaposição deles. Trata-se de algo importantíssimo, mas freqüentemente esquecido, tanto na vida particular quanto no ambiente organizacional. Vale a pena agora examinar alguns exemplos célebres da relevância prática do princípio. Comecemos pelo que é talvez o maior e mais conhecido caso de sucesso, a Apple.

Até meados dos anos 1990, a empresa era conhecida quase exclusivamente por seus computadores desktop. Quando Steve Jobs voltou de seu exílio e quis colocar a empresa nos eixos, continuou nessa linha e veio com os iMacs, que foram bem-sucedidos e levandaram a empresa do abismo. Ao invés, porém, de meramente insistir nessa direção, lançaram um tocador de músicas, o iPod, que veio a dominar o mercado. Nisso já vemos algo estranho: são mercados totalmente distintos, exceto pelo fato de ambos usarem eletrônicos; a princípio, poderiam ter lançado um barbeador e faria o mesmo sentido. O que os uniu? O software iTunes, que rodava nos iMacs e fazia a ponte com o iPod. No meu entendimento, com essa jogada a Apple deixou de ser uma "empresa de computadores" e passou a ser uma empresa de "estilo de vida digital", cujos produtos cooperam visando esse fim maior [1]. Eis aí o que lhe deu unidade e mudou sua sorte definitivamente.

Poder-se-ia imaginar que tratou-se de mero acidente. Mas o lançamento posterior do iPhone, outro sucesso, mostrou que de fato havia um princípio organizador agindo. É revelador que a Apple manteve o nome "iTunes" em seu software de compras, embora a essa altura o programa já vendesse muito mais do que músicas ("tunes"), passando de vídeos até softwares para o novo portátil (e hoje em dia até para os desktops). Poderiam ter renomeado a coisa, mas evidentemente apostaram na continuidade, usaram um elemento de peso para fortalecer toda a composição. Deu certo.

O Google é outro exemplo feliz. Nasceu como um buscador de páginas da Web superior e logo se espalhou para outros ramos, notoriamente com seu sistema de emails, o Gmail. Uma característica interessante deste último é seu uso de buscas sofisticadas aplicadas aos emails dos usuários. Mais do que isso, porém, ambas as iniciativas seguem o mote central da companhia, que é declaradamente "organizar as informações do mundo e torná-las universalmente acessíveis e úteis". Com isso em mente, pode-se compreender como os diversos produtos da empresa se relacionam num todo coeso. Penso, no entanto, que há algo ainda faltando nessa fórumula. Como, por exemplo, expllicar os carros autônomos que estão desenvolvendo? Eu suspeito que os executivos da empresa têm, sim, um fim unificador em mente, que permanece um tanto misterioso para quem vê de fora. Mas nada garante o sucesso último da estratégia [2].

Quando falo em unidade, tenho em mente algo informal, que como tal requer alguma coisa intangível para ser bem aplicada. Fica fácil usá-la mal, mesmo para quem tem alguns bilhões de dólares disponíveis [3]. E uma vez que a unidade de uma composição determina largamente seu valor final, os riscos envolvidos são consideráveis, quiçá existenciais.

No mesmo contexto dos exemplos anteriores, aqui podemos tomar o design do Windows 8 da Microsoft. A idéia em sua forma abstrata soa boa: reduzir os elementos da interface gráfica a componentes que possam ser usados tanto em desktops quanto em outros dispositivos, principalmente celulares e tablets. Sua implementação, contudo, foi catastrófica: uma quimera que mistura o que dá certo no desktop com o que funciona nos tablets, resultando numa aberração que até o usuário final comum reconhece como horrenda. E digo isso como alguém que aprecia a nova interface que a Microsoft criou, desde que isolada e num dispositivo tátil. O problema é que ela conflita com os mecanismos tradicionais. Há aqui um resultado geral importante: se A é algo bom e B também, isso não significa que A + B o será. Em Computação, dizemos que essa soma não é composicional. Muitas coisas na vida não o são [4].

Citei exemplos famosos porque quase qualquer um pode compreendê-los. Todavia, não é difícil ver o princípio aplicado, bem e mal, em muitos outros casos. Da próxima vez que entrar numa loja, mercado ou algum outro estabelecimento, tente pensar no que unifica todas as ofertas -- especialmente quando alguma delas for inusitada. Faz sentido, digamos, um mercado oferecer cartões de crédito? Mais importante: nas suas próprias empreitadas, seus esforços se somam em algo maior ou se diluem mutuamente? A resposta não é fácil, é necessário prática e reflexão para elaborá-la, principalmente porque antes de tudo convém descobrir o que faz de você alguém único e valioso [5].

 

--- 

Notas

[1] Paradoxalmente, esse é um dos motivos pelos quais eu prefiro ficar longe dos produtos da Apple, apesar de reconhecer suas virtudes. Quando você compra um Mac, não está adquirindo apenas um computador, mas também um (caro) estilo de vida. Abri apenas uma exceção para o iPad, para o qual não encontrei nenhum substituto à altura (por causa das proporções da tela, é um melhor leitor de PDFs).

[2] Assim como numa obra de arte, a execução final, os detalhes, e até mesmo a sorte, são fundamentais. O sucesso atual da Apple nos faz esquecer um pouco que o ethos da empresa não mudou muito desde o tempo em que quase fechou as portas. O iPhone e iPad atuais, por exemplo, são reiterações bem executada de produtos anteriores fracassados, como o Newton, todos frutos de idéias bem pensadas. Confira estes vídeos conceituais da Apple antiga.

[3] Ineficiências dessa espécie são uma mina de ouro para empreendedores. Numa sociedade livre, embora a prosperidade normalmente seja generalizada, é difícil ficar no topo por muito tempo.

[4] Tente sugerir a um francês misturar vinho tinto com vinho branco para produzir um rosé.

[5] Os gregos antigos pareciam ver tanta importância e dificuldade nisso que resolveram transformar o sensato conselho em dogma religioso. A máxima "conhece-te a ti mesmo" virou assim uma exortação pública, inscrita em pedras no famoso Templo de Delfos. A inscrição em si já desapareceu, mas as ruínas do Templo continuam lá, num dos lugares mais majestosos e inspiradores que já visitei.

Princípios de composição para além do papel. Ou: você sabe a diferença entre harmonia e unidade?

Terça, 03 de Junho de 2014, 08h35

por

Um bom desenho ou pintura, embora sejam expressões de criatividade, não estão livres de estruturas bem definidas. Algumas, como a forma humana, são difíceis de se formular com precisão. São necessários anos de observação e prática para se aprender os segredos que elas guardam. Felizmente, outras são mais acessíveis. Tenho em mente aqui os princípios de composição gráfica e quero mostrar como a utilidade deles pode ir para além da estética.

A melhor exposição desses princípios que conheço está no livro Watercolor for the Serious Beginner. Na página 37 a autora os introduz de modo breve e incisivo no contexto da pintura. Numa composição, o tipo e posição de seus vários elementos são estabelecidos observando-se diversas propriedades das relações entre eles. Não se trata de formular precisamente essas relações, mas apenas de manter o artista atento aos efeitos das escolhas que faz. Mais importante, não apenas o artista: rapidamente me ficou clara a possibilidade de se aplicar desses princípios de design na vida como um todo. São, com efeito, verdadeiros princípios éticos [1].

Tomemos um princípio famoso e fácil de se compreender, o equilíbrio. Se um dos lados do desenho contém muitos ou grandes elementos e o lado oposto contém poucos ou pequenos, há algum desequilíbrio. A transposição para o ético é evidente: se você trabalha muito e se diverte pouco, o uso das suas horas não está equilibrado. Observe que isso não é uma norma; o fato de estar desequilibrado não é, em si, bom ou ruim. A maior parte das pessoas provavelmente não aprovaria essa atitude em geral, mas há quem o faça com entusiasmo. Poucos negariam que um pouco de desequilíbrio ajuda a tornar as coisas menos monótonas. E, de qualquer forma, há situações em que o desequilíbrio é universalmente desejado, como quando se responde a uma emergência.

O princípio do conflito é um pouco mais complexo. Elementos conflitam sob duas condições. Em primeiro lugar, claro, precisam ser elementos de algum modo diferentes, como um círculo e um quadrado. É ainda necessário, porém, que essa diferença seja interessante. Uma árvore e um arbusto não conflitam. Uma árvore e uma duna conflitam. Conflito gera tensão. Mas quem gosta de tensão? Ora, todo apaixonado, que tem "com quem nos mata, lealdade".

Com apenas esses dois princípios já podemos ver uma relação lógica curiosa. Conflito implica em desequilíbrio, embora o contrário não seja verdade (i.e., o desequilíbrio pode ser causado por elementos do mesmo tipo). Claro que há também uma ambigüidade constante, já que com criatividade suficiente é possível argumentar que uma relação desequilibrada tanto é quanto não é conflituosa. Isso não é necessariamente ruim. O propósito do discurso (interior) não é ganhar um debate, mas apenas fornecer sementes para a imaginação. São e precisam ser maleáveis para servir a esse fim.

O mais interessante começa quando chegamos ao princípio da harmonia, pelo qual os elementos se assemelham em algum aspecto importante. Uma tela com figuras variadas, mas todas azuis e curvilíneas, por exemplo. E o que seria, digamos, uma sociedade harmoniosa? Numa composição harmônica, cada componente leva sua existência sem atrapalhar os demais, mas mantendo algum vínculo comum. Uma sociedade composta de pessoas bem diferentes pode ser vista como harmoniosa se a diferença for pacífica e se houver algo comum, como leis, tradições ou costumes. Não se trata, portanto, de uma pura ausência de conflito, embora um sistema muito harmonioso seja pouco conflitante (eis aí outra relação lógica).

A harmonia social é muitas vezes tida como o objetivo social supremo, e não apenas no mundo ocidental. A julgar pelos documentários que ando vendo, é assim na tradição chinesa também. Todavia, me parece que essa exaltação é um tanto mal direcionada. A razão é um outro princípio de composição menos conhecido, a unidade. Temos unidade quando os vários elementos do sistema não apenas coexistem com certa harmonia, mas também cooperam para atingir um fim comum maior. Normalmente esse é o princípio que rege todos os outros, posto que o artista geralmente deseja transmitir uma mensagem central em cada obra (e às vezes no próprio conjunto de obras).

Ao refletir explicitamente a respeito, me dei conta de que muita gente confunde unidade com harmonia, e esse é um erro fatal. Há quem divida o tempo em coisas muito diferentes, como hobbies dos mais variados e projetos profissionais com poucas relações entre si. Diz a sabedoria popular que "é bom variar". Sinceramente, concordo. Porém, há um preço a se pagar, pois o dia tem apenas algumas horas e a vida se apaga em poucos anos. Isso vale tanto para pessoas quanto para sociedades inteiras, mas aqui me retenho ao indivíduo, átomo da composição social do qual tudo o mais depende.

É perfeitamente possível levar uma vida harmoniosa, tranqüila, socialmente invejável, e mesmo assim estar insatisfeito, sem nunca compreender o que falta. Ter um bom emprego, uma família simpática, uma linda casa -- e se suicidar ao cabo das férias na Disney. Acho justo dizer que a maior parte das pessoas com boa educação anseia por fazer algo relevante com suas existências. Para tanto, estariam melhores se vissem suas vidas mais como obras de arte do que como prateleiras de supermercado (esposa, filhos, trabalho, papel toalha). Se assim o fizéssem, rapidamente topariam com a evidente necessidade de se trazer unidade ao cotidiano.

Atribuo essa situação mais à ignorância e ao acaso do que a operações sinistras de governos e outras organizações. Por outro lado, é preciso reconhecer que na idéia de unidade também reside o fundamento de todo regime totalitário (e.g, "um povo, um império, um líder"). Talvez pelo medo da energia social que o sentimento de unidade pode despertar, o discurso público tenha se distanciado de qualquer noção semelhante. Seja como for, já é tempo de se engrossar esse caldo moral que vem sendo agüado há décadas. A estagnação, e todas as mazelas que a acompanham, é o destino de uma sociedade sem indivíduos com propósitos fortes e ambiciosos.

Ao se estabelecer um tema de unificação, corre-se o risco de se perder a graça. Uma tela em branco não tem sentido, mas representa a unificação por excelência [2]; o nada é incomensuravelmente mais uno do que a multiplicidade da existência. A variedade que tanto se busca na vida é uma medida preventiva quanto a isso. Aqui, mais uma vez a comparação com a arte é útil. Não há regra para se produzir uma bela obra, mas apenas ferramentas, e essas só funcionam após muita experimentação. É preciso saber trabalhar com o inexato e fluído, reconhecendo sua fragilidade, mas também sua potencialidade. Isso é ainda mais relevante para quem tem uma formação principalmente técnico-científica.

De minha parte, tenho tentado escolher e posicionar minhas atividades e projetos de modo que possam se reforçar mutuamente. Precisei ignorar parte da minha curiosidade natural para ter mais foco, mas não por completo. Por exemplo, tenho grande interesse por design de linguagens de programação, e em parte isso implica em aprender novas linguagens. Assim, quando surge a necessidade de se implementar alguma nova ferramenta, avalio a possibilidade de fazê-lo numa nova linguagem também, atingindo assim dois objetivos simultaneamente. De modo mais geral, tenho tentado fazer coisa semelhante no desenvolvimento de produtos e pesquisas. Com isso, tenho produtos mais robustos e pesquisas mais relevantes. Agora há menos projetos inacabados e inúteis abandonados nos calabouços do meu computador, o que quer dizer que estou usando meu tempo de modo mais eficiente. 

A princípio temi que essa prática pudesse ser demasiadamente limitante, mas o fato é que, até agora, serviu muito bem para satisfazer meu ímpeto criativo. Não me privei de criar e variar, apenas aprendi a escolher, entre as infinitas possibilidades, aquelas que melhor se encaixam na estratégia geral. É um grande preconceito supor que nossas idéias frívolas e arbitrárias são necessariamente mais criativas do que aquelas que emanam de uma estrutura pré-existente. O universo é demasiadamente rico para isso, onde quer que estejamos haverá algo interessante para ser explorado. Trata-se antes de uma falta de disciplina; e essa disciplina pode ser adquirida e levada longe, basta apenas aprender a ver as coisas sob a perspectiva da unidade resultante, sem esquecer de levar em conta os demais fatores -- espécie de crescimento orgânico. 

Há outros princípios de design: alternação, domínio, gradação e repetição. Não os explorarei aqui, mas os nomes já sugerem do que se trata [3]. Apenas com isso, neste ponto o leitor talvez já consiga relacioná-los com o que foi dito acima. Tal é o poder de conceitos que tão naturalmente estimulam a imaginação. Temos sorte de que algo imaterial como nossa conduta possa se valer de analogias plásticas, visíveis, na sua elaboração.

 

--

Notas

[1] Ética entendida aqui como o estudo da conduta da vida em geral. Isto é, no sentido aristotélico original (ver Ética à Nicômaco).

[2] Há quem considere uma tela em branco uma grande obra de arte, avaliação da qual evidentemente eu não compartilho. Infelizmente, esse tipo de aberração contribui para a má fama que as artes plásticas têm em alguns círculos.

[3] Além do livro que mencionei, é possível ler sobre isso na Internet também. As exposições, contudo, variam um pouco nos nomes e mesmo nas características dos vários princípios. Infelizmente, não consegui achar as fontes primárias dessas idéias. Eu agradeceria se alguém pudesse me apontá-las.

O pensamento colonizado brasileiro e seus efeitos sobre o empreendedorismo tecnológico nacional

Quarta, 28 de Maio de 2014, 17h09

por

Avanço tecnológico e empreendedorismo costumam andar juntos. É salutar, portanto, que nos últimos poucos anos o espírito empreendedor esteja crescendo nos brasileiros de modo acentuado, sobretudo nos jovens ainda frescos da tinta universitária. Internet, economia estável, boas universidades, globalização e novas tecnologias, muitos fatores estão se alinhando para proporcionar um ambiente adequado ao desenvolvimento tecnológico em solo nacional. Todavia, falta ainda um elemento fundamental. Nossos empreendedores, assim como nossos cidadãos em geral, têm a tendência de supervalorizar os sucessos, idéias e iniciativas alheias, em detrimento de suas próprias. Guiam-se pela convicção de que o sucesso está em aprender alguma fórmula fantástica vinda de longe. Têm, em suma, o pensamento colonizado -- normalmente por uma metrópole que não é grande coisa.

Muita gente se impressionou com a venda do aplicativo de troca de mensagens WhatsApp por US$ 19 bilhões neste ano. Naturalmente, empreendedores mundo afora, incluindo no Brasil, lamentaram-se por não terem sido eles os criadores do software. Mas a pergunta não deveria ser "por que não criaram o WhatsApp no Brasil?" [1], para a qual não faltam respostas pouco lisonjeiras ao brasileiro. O correto, creio, seria perguntar por que criaram o WhatsApp em primeiro lugar. Não me entendam mal, reconheço a utilidade cotidiana desse e outros sucessos. Também tenho respeito pelos empreendedores que levam seus projetos adiante, sejam eles simples ou complexos, inovadores ou não -- principalmente no Brasil, onde isso já é uma grande coisa. O ponto, porém, é que os grandes exemplos que o empreendedor tecnológico supostamente deveria seguir são demasiadamente simplórios e desprovidos de originalidade, quando não inteiramente estúpidos. Um pouco de estupidez cai bem, mas estamos muito longe da medida saudável. É a era da estupidez que nos engole. São raros e pouco conhecidos os softwares que nos elevam a um novo patamar de possibilidades técnicas [2]. Duvida? Reflita sobre os maiores hits no seu celular e browser [3]. Geralmente temos sistemas para troca de mensagens, compartilhamento de fotos e vídeos, jogos e coisas semelhantes. Pouco que não se pudesse fazer há muito tempo, mas talvez agora com uma roupagem mais sexy ou um marketing melhor. Foi esse modelo lamentável que tomou a imaginação do empreendedor brasileiro. No melhor caso, copia-se bem o que deu certo lá fora (que, por sua vez, costuma ser cópia de outra coisa menos afortunada). É difícil pensar em alguma startup local que fuja disso de modo significativo.

Tal realidade simplesmente não pode servir como a base tecnológica duradoura de uma sociedade, e muito menos de uma civilização. É evidente que o melhor ainda está por vir. E é por isso que admirar esse status quo é um erro. O emprendedor brasileiro olha esse Pantheon de falsos deuses e pergunta-se como pode adentrá-lo. Enquanto olha firmemente para o que mais deu e está dando certo financeiramente, perde de vista o futuro, no qual possivelmente Roma inteira cairá vítima da própria soberba. Ademais, nem por um instante parece questionar a sabedoria de jogar um jogo cujas regras não estão sob seu comando. Num mercado global, se você está seguindo as regras do jogo, provavelmente você já perdeu a vanguarda -- porque o jogo não é seu. O importante é criar as regras do seu próprio jogo, para estar um passo à frente, em posição de liderança. A alternativa é ser cidadão global de segunda classe, para sempre à deriva, seja sofrendo com os enganos dos outros (quando erram), seja apanhando as sobras do seu sucesso (quando acertam).

Essa admiração cega e canhestra, muitas vezes oculta sob camadas de sensatez superficial, às vezes pode ser observada às claras, especialmente quando tropeça em si mesma. Que surpresa a minha foi descobri que está na moda pronunciar a palavra app, abreviação inglesa para application, como "a pê pê", como se fosse a sigla A.P.P. Quem inventou essa prática deveria ser enforcado. E quem a segue deveria fazer uma cuidadosa reflexão: deixou-se levar por uma convenção claramente ridícula, então que outros absurdos menos óbvios não aceitou também?

Onde estão os softwares que automatizam sofisticados conselhos médicos e jurídicos? Onde estão os sistemas que projetam sozinhos as plantas da minha casa, prédio, fábrica ou mesmo de toda uma cidade? Que projetam sites sob medida para mim? Que monitoram e me ajudam a otimizar meu comportamento, minha vida inteira? Onde estão as interfaces que se adaptam dinamicamente à personalidade, educação, inteligência e idade do usuário? Os fundamentos tecnológicos para tudo isso e muito mais já existem, basta dar o próximo passo e avançar no limite do possível.

O mesmo destino rural paira sobre a pesquisa científica, último bastião nas fronteiras do conhecido. A impressão que tenho é de que não se cria muito que seja relevante e de peso por aqui. Não se avança sobre o território novo logo à frente. O que se faz é principalmente brincar, complementar, estender -- dir-se-ia mesmo bajular em certos casos -- a criação e a exploração de outrem. A origem dessa subserviência está no próprio mecanismo educacional empregado na formação desses quadros. Mandam-se estudantes para fora do país na esperança de se formarem bons pesquisadores, mas o resultado dessas expedições usualmente é apenas o engendramento de embaixadores da ciência alheia. Não temos tanto cientistas quanto temos diplomatas. Há menos inventividade no treinamento científico do que supõe o homem comum. Se serve de consolo, destino equivalente normalmente aguarda os nativos do primeiro mundo. A diferença é que, vez por outra, lá desponta alguém extraordinário, capaz de criar algo original e fornecer um norte aos demais. É assim que avança a linha de frente no mundo desenvolvido. Infelizmente, o mesmo não ocorre muito por aqui, e isso transborda na nossa tecnologia e nos empreendedores que a desenvolvem e promovem [4]. Falta-nos uma fagulha crucial.

Qual a razão de tudo isso? Não compartilho da suspeita paranóica que sempre tenta culpar o estrangeiro "imperialista". Nenhum agente da CIA me barrou nas bibliotecas e congressos norte-americanos da última vez que estive por lá. Pelo contrário, as potências estrangeiras abrem suas portas e dão conhecimento para quem se dispõe a buscá-lo. A desordem, estatismo e burocracia nacionais também não servem de explicação: que eu saiba, não há lugar no mundo civilizado mais bagunçado, estatista e burocrático do que a França, e há grandes conquistas tecnológicas oriundas de lá [5]. Há alguma coisa mais profunda, mais dissimulada, que permeia o subdesenvolvimento crônico. E como todo mal dessa espécie, o primeiro passo para eliminá-lo é torná-lo visível, pois só assim pode-se combatê-lo eficazmente.

Sinto que o problema central esteja na crença de que há uma fórmula mágica (ou científica, pouco importa) que se faz revelar nos grandes sucessos, no "espírito do tempo". É a crença do estudante, cuja natureza é ser um receptáculo da sabedoria alheia. O bom estudante é aquele que resolve fielmente todos os problemas que já foram resolvidos, com as técnicas que já foram codificadas. Muito diferente é a atitude dos inventores e pesquisadores genuínos, que "procuram o que ninguém perdeu", como diria meu pai. Numa sociedade saudável, grande parte dos estudantes são gradualmente transformados em pesquisadores; as certezas lentamente convertidas em dúvidas; a arrogância do engenheiro e do médico sutilmente amaciada na severidade inquisitiva do verdadeiro cientista. Infelizmente, como tantos outros centros de atraso, ainda somos uma nação de meros estudantes. Não surpreende que os melhores alunos acabem com grande freqüência transformando-se em professores, perpetuando assim o ciclo.

Nessa atitude estudantil, penso, está o fundamento sobre o qual se constróem tantos monumentos à pequenez. O fato é que toda fórmula é inventada por alguém, e assim reflete suas ambições, necessidades e circunstâncias. Os empreendedores e cientistas subdesenvolvidos, em especial no Brasil, não percebem que em última instância não há fórmulas, mas apenas gente. E muitas vezes nem mesmo muita gente, mas apenas um punhado de homens ou mulheres. Somos nós, seres humanos, dotados de alguma racionalidade, que levantamos do solo selvagem tudo aquilo que podemos chamar de nosso. Somos nós que dizemos não à natureza e que lhe impomos nossa vontade. A meu ver, é o desejo de ir além do que já foi feito, de explorar os limites do possível, de levar a curiosidade e a criatividade às últimas conseqüências, de ser mestre de seu próprio destino, que realmente cria valor duradouro. Tomemos exemplos, peças, ferramentas, sim. Mas que a criação seja nova, valiosa e nossa. Sejamos ambiciosos, críticos e originais. Chega de seguir fórmulas, passemos a ditá-las.

 

--

Notas

[1] Mal acabo de escrever este parágrafo e imediatamente me deparo com a notícia de que inventaram o "WhatsApp brasileiro". I rest my case.

[2] Dois exemplos mais ou menos conhecidos de que gosto: Kiva Systems e Palantir.

[3] E certamente em outras partes. Limito-me aqui a usar exemplos da indústria de software, minha especialidade.

[4] Nem sequer me dou o trabalho de escrever sobre as grandes empresas brasileiras de tecnologia. Tanto quanto posso ver, estas inovam muitíssimo menos do que nossos empreendedores e cientistas.

[5] Por exemplo, o coração artificial da Carmat, o SolidWorks da Dassault Systèmes, o provador de teoremas Coq, o Método B (notoriamente usado para garantir a segurança de trens automatizados, inclusive os da linha 4 do metrô de São Paulo) e a linguagem Esterel (usada pela Airbus).

CFP: 2013 ASE/IEEE International Conference on Economic Computing

Quarta, 22 de Maio de 2013, 11h20

por

This seems quite interesting.

 

Introduction
    It has been a long way since Von Neumann first envisioned the computer as a tool for social and economic simulation. Today, there are computers powerful enough to fuel large-scale social and economic computational simulations, design and test economic policy in silico, and forecast economic outcomes. Advances in computing power, alongside new computational methods, promise to overcome some of the current shortcomings that arise in traditional economic modeling - such as the limitations in modeling, predicting and preventing market crashes and downturns, and the limitations imposed by the assumptions of linearity, differentiability and equilibrium.

Electronic Submission
    Prepare your manuscripts with the following conference paper styles not more than 10 pages in PDF file. ( Paper Styles). Submit your paper(s) at the EconCom 2013 submission site . Each submission should be regarded as an undertaking that, should the paper be accepted, at least one of the authors must attend the conference to present the work in order for the paper to be included in the Digital Library.

Paper Publications
    Top 5% accepted papers will be published in the ASE Science Journal. The rest of accepted papers will be included in the IEEE Digital Library.

Workshop Proposal
    In conjunction with the EconCom 2013 conference, workshops will be held. Please submit a workshop proposal including call for papers, organizing committee, important dates, short bio of the organizers to the EconCom 2013 workshop chairs (justinzzhan@gmail.com) before April 15, 2013. Proceedings of EconCom 2013 workshops will be included in the conference proceedings and the ASE Science Journal.

http://www.asesite.org/conferences/econcom/2013/

Uma mensagem a Garcia (por Elbert Hubbard, 1914)

Quinta, 09 de Maio de 2013, 12h26

por

Um texto clássico de Elbert Hubbard, datado de 1914, destinado a atrair a simpatia de qualquer um que já tentou construir algum empreendimento, especialmente quando cercado de desânimo e hostilidade. Encontrei a presente tradução aqui, e o texto original pode ser visto no Projeto Gutenberg.

 

Apologia do Autor

Esta insignificância literária, UMA MENSAGEM A GARCIA, escrevi-a uma noite, depois do jantar, em uma hora. Foi a 22 de fevereiro de 1899, aniversário natalício de Washington, e o número de março da nossa revista "Philistine" estava prestes a entrar no prelo. Encontrava-me com disposição de escrever e o artigo brotou espontâneo do meu coração, redigido, como foi, depois de um dia afanoso, durante o qual tinha procurado convencer alguns moradores um tanto renitentes do lugar, que deviam sair do estado comatoso em que se compraziam, esforçando-se por incutir-lhes radioatividade.

A idéia original, entretanto, veio-me de um pequeno argumento ventilado pelo meu filho Bert, ao tomarmos café, quando ele procurou sustentar ter sido Rowan o verdadeiro herói da Guerra de Cuba. Rowan pôs-se a caminho só e deu conta do recado - levou a mensagem a Garcia. Qual centelha luminosa, a idéia assenhoreou-se de minha mente. É verdade, disse comigo mesmo, o rapaz tem toda a razão, o herói é aquele que dá conta do recado que leva a mensagem a Garcia.

Levantei-me da mesa e escrevi "Uma mensagem a Garcia" de uma assentada. Entretanto, liguei tão pouca importância a este artigo, que até foi publicado na Revista sem qualquer título. Pouco depois da edição ter saído do prelo, começaram a afluir pedidos para exemplares adicionais do número de Março do "Philistine": uma dúzia, cinquenta, cem, e quando a American News Company encomendou mais mil exemplares, perguntei a um dos meus empregados qual o artigo que havia levantado o pó cósmico.

"Esse de Garcia", retrucou-me ele.

No dia seguinte chegou um telegrama de George H. Daniels, da Estrada de Ferro Central de Nova York, dizendo: "Indique preço para cem mil exemplares artigo Rowan, sob forma folheto, com anúncios estrada de ferro no verso. Diga também até quando pode fazer entrega ".

Respondi indicando o preço, e acrescentando que podia entregar os folhetos dali a dois anos. Dispúnhamos de facilidades restritas e cem mil folhetos afiguravam-se-nos um empreendimento de monta.

O resultado foi que autorizei o Sr. Daniels a reproduzir o artigo conforme lhe aprouvesse. Fê-lo então em forma de folhetos, e distribuiu-os em tal profusão que, duas ou três edições de meio milhão se esgotaram rapidamente. Além disso, foi o artigo reproduzido em mais de duzentas revistas e jornais. Tem sido traduzido, por assim dizer, em todas as línguas faladas.

Aconteceu que, justamente quando o Sr. Daniels estava fazendo a distribuição da Mensagem a Garcia, o Príncipe Hilakoff, Diretor das Estradas de Ferro Russas, se encontrava neste país. Era hóspede da Estrada de Ferro Central de Nova York, percorrendo todo o país acompanhando o Sr. Daniels. O príncipe viu o folheto, que o interessou, mais pelo fato de ser o próprio Sr. Daniels quem o estava distribuindo em tão grande quantidade, que propriamente por qualquer outro motivo.

Como quer que seja, quando o príncipe regressou à sua Pátria mandou traduzir o folheto para o russo e entregar um exemplar a cada empregado de estrada de ferro na Rússia. O breve trecho foi imitado por outros países; da Rússia o artigo passou para a Alemanha, França, Turquia, Hindustão e China. Durante a guerra entre Rússia e o Japão, foi entregue um exemplar da "Mensagem a Garcia" a cada soldado russo que se destinava ao front.

Os japoneses, ao encontrar os livrinhos em poder dos prisioneiros russos, chegaram à conclusão que havia de ser cousa boa, e não tardaram em vertê-lo para o japonês. Por ordem do Mikado foi distribuído um exemplar a cada empregado, civil ou militar do Governo Japonês.

Para cima de quarenta milhões de exemplares de "Uma Mensagem a Garcia" têm sido impressos, o que é sem dúvida a maior circulação jamais atingida por qualquer trabalho literário durante a vida do autor, graças a uma série de circunstâncias felizes. - E. H.

 

East Aurora, dezembro 1, 1913


Uma Mensagem a Garcia

Em todo este caso cubano, um homem se destaca no horizonte de minha memória como o planeta Marte no seu periélio. Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse precisar exatamente onde. Era impossível comunicar-se com ele pelo correio ou pelo telégrafo. No entanto, o Presidente tinha que tratar de assegurar-se da sua colaboração, e isto o quanto antes. Que fazer?

Alguém lembrou ao Presidente: "Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan ".

Rowan foi trazido à presença do Presidente, que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. De como este homem, Rowan, tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito, e, após quatro dias, saltou, de um barco sem coberta, alta noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão, para depois de três semanas, surgir do outro lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregando a carta a Garcia - são cousas que não vêm ao caso narrar aqui pormenorizadamente. O ponto que desejo frisar é este: Mac Kinley deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia; Rowan pegou da carta e nem sequer perguntou: " Onde é que ele está?"

Hosannah! Eis aí um homem cujo busto merecia ser fundido em bronze imarcescível e sua estátua colocada em cada escola do país. Não é de sabedoria livresca que a juventude precisa, nem instrução sobre isto ou aquilo. Precisa, sim, de um endurecimento das vértebras, para poder mostrar-se altivo no exercício de um cargo; para atuar com diligência, para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.

O General Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias. A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante uma empresa, em que a ajuda de muitos se torne precisa, têm sido poupados momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade de grande número de homens, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada cousa e fazê-la.

Assistência irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal feito parecem ser a regra geral. Nenhum homem pode ser verdadeiramente bem sucedido, salvo se lançar mão de todos os meios ao seu alcance, quer da força, quer do suborno, para obrigar outros homens a ajudá-lo, a não ser que Deus Onipotente, na sua grande misericórdia, faça um milagre enviando-lhe como auxiliar um anjo de luz.

Leitor amigo, tu mesmo podes tirar a prova. Estás sentado no teu escritório, rodeado de meia dúzia de empregados. Pois bem, chama um deles e pede-lhe: "Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e de me fazer uma descrição sucinta da vida de Corrégio ".

Dar-se-á o caso do empregado dizer calmamente: "Sim, Senhor" e executar o que se lhe pediu?

Nada disso! Olhar-te-á perplexo e de soslaio para fazer uma ou mais das seguintes perguntas:

Quem é ele?

Que enciclopédia?

Onde é que está a enciclopédia? Fui eu acaso contratado para fazer isso ?

Não quer dizer Bismark?

E se Carlos o fizesse?

Já morreu?

Precisa disso com urgência?

Não será melhor que eu traga o livro para que o senhor mesmo procure o que quer?

Para que quer saber isso ?

E aposto dez contra um que, depois de haveres respondido a tais perguntas, e explicado a maneira de procurar os dados pedidos e a razão por que deles precisas, teu empregado irá pedir a um companheiro que o ajude a encontrar Garcia, e depois voltará para te dizer que tal homem não existe. Evidentemente, pode ser que eu perca a aposta; mas, segundo a lei das médias, jogo na certa. Ora, se fores prudente, não te darás ao trabalho de explicar ao teu "ajudante" que Corrégio se escreve com "C" e não com "K ", mas limitar-te-ás a dizer meigamente, esboçando o melhor sorriso "Não faz mal; não se incomode ", e, dito isto, levantar-te-ás e procurarás tu mesmo. E esta incapacidade de atuar independentemente, esta inépcia moral, esta invalidez da vontade, esta atrofia de disposição de solicitamente se pôr em campo e agir - são as cousas que recuam para um futuro tão remoto o advento do socialismo puro. Se os homens não tomam a iniciativa de agir em seu próprio proveito, que farão quando o resultado do seu esforço redundar em benefício de todos? Por enquanto parece que os homens ainda precisam de ser feitorados. O que mantém muito empregado no seu posto e o faz trabalhar é o medo de, se não o fizer, ser despedido no fim do mês. Anuncia precisar de um taquígrafo, e nove entre dez candidatos à vaga não saberão ortografar nem pontuar - e, o que é mais, pensam que não é necessário sabê-lo.

Poderá uma pessoa destas escrever uma carta a Garcia?

"Vê aquele guarda-livros", dizia-me o chefe de uma grande fábrica.

"Sim, que tem? "

"É um excelente guarda-livros. Contudo, se eu o mandasse fazer um recado, talvez se desobrigasse da incumbência a contento, mas também podia muito bem ser que no caminho entrasse em duas ou três casas de bebidas, e que, quando chegasse ao seu destino, já não se recordasse da incumbência que lhe fora dada".

Será possível confiar-se a um tal homem uma carta para entregá-la a Garcia?

Ultimamente temos ouvido muitas expressões sentimentais externando simpatia para com os pobres entes que mourejam de sol a sol, para com os infelizes desempregados à cata do trabalho honesto e, tudo isto, quase sempre entremeado de muita palavra dura para com os homens que estão no poder.

Nada se diz do patrão que envelhece antes do tempo, num baldado esforço para induzir eternos desgostosos e descontentes a trabalhar conscienciosamente; nada se diz de sua longa e paciente procura de pessoal, que, no entanto, muitas vezes nada mais faz do que "matar o tempo" logo que ele volta as costas. Não há empresa que não esteja despendindo pessoal que se mostre incapaz de zelar pelos seus interesses, a fim de substituí-lo por outro mais apto. E este processo de seleção por eliminação está se operando incessantemente, em tempos adversos, com a única diferença que, quando os tempos são maus e o trabalho escasseia, a seleção se faz mais escrupulosamente, pondo-se fora, para sempre, os incompetentes e os inaproveitáveis. É a lei da sobrevivência do mais apto. Cada patrão, no seu próprio interesse, trata somente de guardar os melhores - aqueles que podem levar uma mensagem a Garcia.

Conheço um homem de aptidões realmente brilhantes, mas sem a fibra precisa para gerir um negócio próprio e que ademais se torna completamente inútil para qualquer outra pessoa, devido à suspeita insana que constantemente abriga de que seu patrão o esteja oprimindo ou tencione oprimi-lo. Sem poder mandar, não tolera que alguém o mande. Se lhe fosse confiada uma mensagem a Garcia, retrucaria provavelmente: "Leve-a você mesmo".

Hoje este homem perambula errante pelas ruas em busca de trabalho, em quase petição de miséria. No entanto, ninguém que o conheça se aventura a dar-lhe trabalho porque é a personificação do descontentamento e do espírito de réplica. Refratário a qualquer conselho ou admoestação, a única cousa capaz de nele produzir algum efeito seria um bom pontapé dado com a ponta de uma bota de número 42, sola grossa e bico largo.

Sei, não resta dúvida, que um indivíduo moralmente aleijado como este não é menos digno de compaixão que um fisicamente aleijado. Entretanto, nesta demonstração de compaixão, vertamos também uma lágrima pelos homens que se esforçam por levar avante uma grande empresa, cujas horas de trabalho não estão limitadas pelo som do apito e cujos cabelos ficam prematuramente encanecidos na incessante luta em que estão empenhados contra a indiferença desdenhosa, contra a imbecilidade crassa e a ingratidão atroz, justamente daqueles que, sem o seu espírito empreendedor, andariam famintos e sem lar.

Dar-se-á o caso de eu ter pintado a situação em cores demasiado carregadas? Pode ser que sim; mas, quando todo mundo se apraz em divagações quero lançar uma palavra de simpatia ao homem que imprime êxito a um empreendimento, ao homem que, a despeito de uma porção de empecilhos, sabe dirigir e coordenar os esforços de outros e que, após o triunfo, talvez verifique que nada ganhou; nada, salvo a sua mera subsistência.

Também eu carreguei marmitas e trabalhei como jornaleiro, como também tenho sido patrão. Sei, portanto, que alguma cousa se pode dizer de ambos os lados.

Não há excelência na pobreza per se; farrapos não servem de recomendação. Nem todos os patrões são gananciosos e tiranos, da mesma forma que nem todos os pobres são virtuosos.

Todas as minhas simpatias pertencem ao homem que trabalha conscienciosamente, quer o patrão esteja, quer não. E o homem que, ao lhe ser confiada uma carta para Garcia, tranquilamente toma a missiva, sem fazer perguntas idiotas, e sem a intenção oculta de jogá-la na primeira sarjeta que encontrar, ou praticar qualquer outro feito que não seja entregá-la ao destinatário. Esse homem nunca fica "encostado" nem tem que se declarar em greve para forçar um aumento de ordenado.

A civilização busca ansiosa, insistentemente, homem nestas condições. Tudo que um tal homem pedir, ser-lhe-á de conceder. Precisa-se dele em cada cidade, em cada vila, em cada lugarejo, em cada escritório, em cada oficina, em cada loja, fábrica ou venda. O grito do mundo inteiro praticamente se resume nisso: precisa-se, e precisa-se com urgência, de um homem capaz de levar uma mensagem a Garcia.

Elbert Hubbard

CFP: GA2013 - 16th Generative Art Conference / Exhibition / Live-performances at LA TRIENNALE museum, Milan, Italy

Segunda, 06 de Maio de 2013, 18h53

por

After 15 years of Generative Art conferences, with the aim of improving
the knowledge of Generative Approach in different fields sharing our
scientific and creative experience, I would like to invite you to send a
proposal of paper, poster, artwork, installation or live-performance for
the 16th Generative Art Conference.
GA2013 will be held in Milan, Italy, the 10th, 11th and 12th of December
2013 at the Triennale di Milano museum. This event, focused on
Art-Science, is organized by the Generative Design Lab of the Politecnico
di Milano University.
A live-performances festival will be presented in the evenings to a large
audience, together with an exhibition of generative artworks and
installations. The location is the Honor Hall of the TRIENNALE di Milano,
the most important Contemporary Design Museum in Italy.
Entrance to the live-performances and to the exhibition will be free.
Performers participating only to live-performances will not have to pay
the registration fee.

Location of Conference, Exhibition and Live-Performances:
Italy, Milan, LA TRIENNALE DI MILANO, via Emilio Alemagna 6, 20121,
Milano, Italy; www.triennale.org

At now GA is the 1st point of reference for researchers and creators using
generative advanced approaches and the location will increase the
visibility and importance of this 16th international event.
Around 700 papers presented at previous conferences are on the GA website
http://www.generativeart.com for free consultation.
The conference, as in the 15 previous ones, will have only one main
session (with around 40 paper presentations, a poster session and evening
performances) for increasing the possibilities of exchanging experiences
and discussion.

The deadline for sending your proposals (papers, posters,
artworks/installations, live performances) is the 15th of September 2013
and we are sure that, with your contributions, GA2013 will once more be a
place where experiences can be exchanged and will be the occasion to meet
people who work with similar approaches in a wide range of different
disciplines. This year, the Conference will be enhanced by the very
high-quality cultural locations that, being directly inside the
Contemporary Design Museum, will be full open to the public.

I hope that you will be interested in coming to this meeting / festival
and that you will join us.
The CALL FOR PAPERS / POSTERS / ARTWORK / PERFORMANCES is on the website
(www.generativeart.com).

The PROCEEDINGS (Book of Abstracts and a DVD with papers, posters, artwork
and performances/presentations (with an ISBN number) WILL BE PRINTED
BEFORE THE CONFERENCE and will be available the 9th of December 2013,
during the set up and the opening of the exhibition.

More, the best papers will be also published in the new journal GASATHJ,
Generative Art Science and Technology hard Journal
(http://www.gasathj.com) after a selection and review for upgrading the
papers into a multi-media article fitting the character of the Journal.

TOPICS WILL INCLUDE (but are not limited to):
Art & Science
Philosophy & Technology
Infinity & Identity
Image & Space
Music
Poetry
Mathematics
Visionary Scenarios & Virtual Environment
Architecture
Cities Identity & Town Design
Software Art
Web Art
Industrial Design & Intelligent Production
Artificial Intelligence
Artificial Life
Artificial Behaviors
Generative Robotics
Mechatronic
Teaching Theory
Visual Grammar

Deadlines:
15 September 2013 (or earlier, in order to receive an official invitation
letter) Presentation of proposals for Papers, Posters, Artwork,
Installations, Live Performances. PLEASE USE THE FORMAT FOUND ON
http://www.generativeart.com/on/upupup/GA2013_abstractTemplate.doc because
abstracts will be printed in the paper book of proceedings using this
template.
You should send your abstract by email to:
celestino.soddu@generativeart.com . If you need an invitation letter in
order to apply for funding or for visa purposes and so need an early
acceptance, please ask for the letter in your email.
15 October 2013 - Advice of acceptance of proposals (these will be double
reviewed)
10 November 2013 - Presentation of final Papers (around 4000 words),
Posters (max 2000 words), Artwork-installation and Live Performance
presentation (max 2000 words)

Programme:
9th December, setting up the exhibition and, in the late afternoon,
opening cocktail.
10th-12th December, exhibition
10th December,
9:00AM GA conference,
1:00PM lunch at Italian restaurant
3:00PM GA conference,
8:30PM Conference dinner at typical Italian restaurant

11th December,
9:00AM GA conference,
1:00PM lunch at Italian restaurant
3:00PM GA conference,
6:30PM Cocktail & Pizza snack,
8:00PM Festival of live-performances
12th December,
9:00AM GA conference,
1:00PM lunch at Italian restaurant
3:00PM GA conference,
6:30PM Cocktail & Pizza snack,
8:00PM Festival of live-performances

Early submission
If a letter of invitation is needed for funding applications or to obtain
a visa, please specify and proposals can be accepted within 15 days.
Please note:
- No funds are available from the GA2013 organization.
- To ensure a high-quality conference, all abstracts and papers will be
double reviewed by the Conference Chair and the Scientific Committee.
- The proceedings of GA2013 will be printed in advance (with ISBN number)
to give written support to the conference and enhance the discussions. The
proceedings will present, in sequence, a book containing the abstracts of
papers, posters, artwork presentations, presentations of live
performances, with a DVD of complete papers, software, artwork, music and
videos of performances and all materials presented by participants.
- All contributions presented and accepted will also be published on the
website www.generativeart.com after the conference. Every day
http://www.generativeart.com has around 3000 visitors. And the best papers
will be published in the new journal GASATHJ,

Fees:
As with previous conferences, having chosen not to have sponsors, the fee
covers only the conference expenses, such as bags containing the
proceedings, printed materials, cocktail&pizza snacks, coffee breaks, 3
lunches, the conference dinner, etc.
- No fees needed from performers presenting live performances, who attend
only the evening performances.
- Reduced fees for people presenting papers, posters, artwork and
installations.
- No fee for students only attending the conference if they will register
until 15 Nov. 2013
- Extra reduced fee, without lunches, for students presenting posters.
More information about fees are on the website
http://www.generativeart.com following "registration", starting from the
end of May.
If you have any questions please don't hesitate to contact me
Looking forward to meeting you in Milan,
Kindest regards
Celestino Soddu
Chair of Generative Art Conferences
_________________________
Prof. Celestino Soddu
Chair of Generative Art Conferences
Director of Generative Design Lab, Politecnico di Milano University
Via Golgi 39, 20133 Milano
www.generativeart.com (the GA conference)
www.gasathj.com (the Journal)
www.argenia.it (personal website)

CFP: 16th Brazilian Symposium on Formal Methods (SBMF)

Terça, 12 de Fevereiro de 2013, 22h47

por

 

CALL FOR PAPERS
 
16th Brazilian Symposium on Formal Methods (SBMF)
 
Supported by the Brazilian Computer Society (SBC)
 
Brasília, Brazil
 
29 September to 04 October, 2013
 
 
IMPORTANT DATES
 
Abstract Submission Deadline (American Samoa Time Zone): May 08, 2013
 
Full Paper Submission Deadline (American Samoa Time Zone): May 14, 2013
 
Full Paper Acceptance Notification: July 05, 2013
 
Full Paper Camera-ready Version: July 12, 2013
 
Short Paper Submission Deadline: July 20, 2013
 
Short Paper Acceptance Notification: August 20, 2013
 
Short Paper Camera-ready Version: August 31, 2013
 
 
INTRODUCTION
 
SBMF 2013 is the sixteenth of a series of events devoted to the development,
dissemination and use of formal methods for the construction of high-quality
computational systems. It is now a well-established event with an international
reputation.
 
Keynote speakers will be:
 
    Kenneth McMillan, Microsoft Research, USA
    Christiano Braga, UFF, Brazil
 
 
The symposium will be part of a larger event, CBSoft, the Brazilian 
Conference on Software: Theory and Practice (http://cbsoft2013.cic.unb.br/?lang=en)
including, in addition to SBMF, three other symposia:
 
    XXVII Brazilian Symposium on Software Engineering (SBES)
    XVII Brazilian Symposium on Programming Languages (SBLP)
    VII Brazilian Symposium on Components, Software Architecture and Software Reuse (SBCARS)
 
 
CBSoft and SBMF 2013 will take place in Brasília, a UNESCO world heritage 
for its world-wide symbol of modern architecture. As a venue for political 
events, music performances and movie festivals, Brasília is a cosmopolitan 
city, with around 119 embassies, a wide range of restaurants and complete 
infrastructure ready to host any kind of event. Brasília is strategically 
located in the center of Brazil and its international airport, the third 
busiest Brazilian airport, serves the metropolitan area with major domestic 
and international flights.
Brasília is also considered one of the main sites of Brazilian ecoturism 
for its cerrado (Brazilian tropical savanna) hosting one of the major National 
parks very close to its administrative center. In the surroundings of Brasília,
great waterfalls and a breathtaking landscapes are at easy access, including 
Chapada dos Veadeiros (Veadeiros Plateau) and Pirenópolis, with more than 
twenty spectacular waterfalls with pristine water.
 
The aim of SBMF is to provide a venue for the presentation and discussion 
of high-quality papers, from researchers with a broad range of interests 
in formal methods, on recent developments in this field. The topics include, 
but are not limited to, the following:
 
    Well-founded specification and design languages;
    Formal aspects of popular languages and methodologies;
    Logics and semantics of programming- and specification languages;
    Reusable domain theories;
    Type systems and category theory in computer science;
    Computational complexity of methods and models;
    Computational models;
    Rewriting systems;
    Formal methods integration;
    Formal methods for software/hardware development;
    Formal methods applied to model-driven engineering;
    Code generation;
    Formal design methods;
    Specification and modeling;
    Abstraction, modularization and refinement techniques;
    Program and test synthesis;
    Techniques for correctness by construction;
    Formal methods and models for objects, aspects and component systems;
    Formal methods and models for real-time, hybrid and critical systems;
    Formal methods and models for service-oriented systems;
    Models of concurrency, security and mobility;
    Model checking;
    Theorem proving;
    Static analysis;
    Formal techniques for software testing;
    Software certification;
    Formal techniques for software inspection.
    Teaching of, for and with formal methods;
    Experience reports on the use of formal methods;
    Industrial case studies;
    Tools supporting the formal development of computational systems;
    Development methodologies with formal foundations;
    Software evolution based on formal methods.
 
 
 
PAPER SUBMISSION
 
Papers with a strong emphasis on Formal Methods, whether practical or 
theoretical, are invited for submission. They should present unpublished 
and original work that has a clear contribution to the state of the art 
on the theory and practice of formal methods. They should not be simultaneously 
submitted elsewhere.
Papers will be judged on the basis of originality, relevance, technical 
soundness and presentation quality. They should be written in English. 
There are two types of submissions:
 
    Full papers: (max. 16 pages in LNCS format) should contain theory- or 
application-oriented results which must be original, significant, and sound; 
they will undergo a full reviewing process. Papers from industry should 
emphasize practical application of formal methods and/or report open 
challenges. The proceedings will be published in LNCS/Springer.
 
    * Short papers: (max. 6 pages in LNCS format) should describe recent 
research activities, practical experience, and preliminary results that 
are worth discussing. 
 
Every accepted paper MUST have at least one author registered to the 
symposium by the time the camera-ready copy is submitted; the author 
is also expected to attend the symposium and present the paper. Papers 
are submitted in English and MUST be presented in English.
 
Papers can be submitted via the following link:
 
 
PROGRAM COMMITTEE CHAIRS
 
Leonardo de Moura, Microsoft Research, USA
Juliano Iyoda, UFPE, Brazil
 
 
STEERING COMMITTEE
 
Jim Davies, University of Oxford, UK
Rohit Gheyi, UFCG, Brazil 
Juliano Iyoda, UFPE, Brazil (Co-chair)
Carroll Morgan, UNSW, Australia
Leonardo de Moura, Microsoft Research, USA (Co-chair)
David Naumann, Stevens Institute of Technology, USA 
Marcel Oliveira, UFRN, Brazil
Leila Silva UFS, Brazil
Adenilso Simao, ICMC-USP, Brazil
Jim Woodcock, University of York, UK
 
 
PROGRAM COMMITTEE (preliminary list)
 
Wilkerson Andrade
Aline Andrade
David Aspinall
Luis Barbosa
Christiano Braga
Michael Butler
Ana Cavalcanti
Marcio Cornélio
Andrea Corradini
Marcelo d'Amorim
Jim Davies
David Deharbe
Ewen Denney
Clare Dixon
Jorge Figueiredo
Rohit Gheyi
John Harrison
Rolf Hennicker
Zhiming Liu
Gerald Luettgen
Patricia Machado
Narciso Martí-Oliet
Tiago Massoni
Ana Melo
Stephan Merz
Anamaria Moreira
Alexandre Mota
Arnaldo Moura
David Naumann
Daltro Nunes
Jose Oliveira
Marcel Oliveira
Alexandre Petrenko
Leila Ribeiro
Augusto Sampaio
Leila Silva
Heike Wehrheim
 

 

Lista de publicações no Liberalis

Sexta, 16 de Novembro de 2012, 17h51

por

Finalmente é possível acrescentar uma lista detalhada de publicações no Liberalis, incluindo os arquivos correspondentes e possibilidade de exportar Bibtex. Agora de fato acho que o Lattes ficou obsoleto para mim. Será que em algum momento vou conseguir convencer mais acadêmicos a adotarem a minha plataforma? Apesar do monopólio estatal do CNPq ser um obstáculo considerável...

Vejam um exemplo de lista de publicações no meu currículo.

CFP: Simulation for Architecture and Urban Design Special Issue of SIMULATION

Segunda, 05 de Novembro de 2012, 18h21

por

Repassando um CFP interessante:

 

The Call for Papers for the Special Issue, Simulation for Architecture and Urban Design, for the Journal of SIMULATION: Transactions of the Society for Modeling and Simulation International, has been extended.

The new date is December 15, 2012.

Editors of this special issue seek original experimental research in which new methods, techniques, and processes are discovered, adapted, and appropriated in the context of modeling and simulation of the built environment. Architects, scientists, engineers, educators, business professionals who develop or use simulation tools are invited to submit original papers that explore, but are not limited to, the following topics:

•Whole System Simulation and Analysis

•Post Occupancy Performance Evaluation

•Building Comfort and Energy Performance

•Design Tools and Methods

•Materials, Components and Innovative Systems

•Multi Disciplinary Optimization

•Simulation Performance and Scalability

•Design and Decision Support

•Energy Performance Simulation and Analysis

•Intelligent Building & Building Lifecycle Management

•Sensor Network and Building Performance Monitoring

•Visualization of Simulation-based Data

•Theory and History of Environmental Simulation and Controls

 

Please see our website at http://scs.org/node/343 for information on submission and other details.

 

Guest Editors:

•Ramtin Attar, Principal Research Scientist (Autodesk Research) & Research Professor (Carleton University), Toronto, ON, Canada

•Lira Nikolovska, User Experience Architect (Autodesk), Waltham, MA, USA

•Azam Khan, Head of Environment and Ergonomics Research (Autodesk Research), Toronto, ON, Canada

 

BRACIS 2012 e concurso de teses

Segunda, 17 de Setembro de 2012, 14h10

por

Tive o prazer de participar da Brazilian Conference on Intelligent System (BRACIS 2012), que ocorreu na semana passada em Curitiba. Minha tese foi uma das seis selecionadas para apresentação no concurso de teses do evento. Não ganhei o prêmio, mas de todo modo a conferência foi bem proveitosa, além de ter me dado uma oportunidade de publicar um resumo da tese (veja arquivo em anexo). Fiquei contente ao ver tantos trabalhos promissores e interessantes sendo apresentados nos diversos eventos e palestras.

Serviços

Embora eu me dedique primariamente ao Liberalis e à minha pesquisa científica, eu estou disposto a prestar alguns tipos de serviços individuais.

  • Consultoria

    Consultoria em Computação

    Presto consultoria em qualquer área na qual eu tenha conhecimento. Favor consultar meu currículo para saber mais sobre as minhas capacidades.

    R$ 500 (Por hora)
    Podemos negociar um preço menor no caso de projetos maiores.

  • Palestras

    Palestras sobre Computação para leigos

    Eu gosto de me comunicar com uma audiência interessada. Em particular, tenho competência para os seguintes tópicos:

    - Como divulgar seus eficazmente seus produtos e serviços na Internet;
    - Introdução à lógica;
    - Introdução à programação.

    Na verdade, *qualquer* *assunto* no qual eu seja competente pode tornar-se uma palestra. Se tiver alguma idéia, por favor entre em contato, ficarei feliz em analisar as suas necessidades.

    R$ 3000 (Por serviço)
    No caso de palestras em universidades renomadas, não cobro nada.

Não encontrou o que buscava?

Eu estou disposto a prestar serviços personalizados que não estejam listados aqui. Se estiver interessado, por favor entre em contato e me explique sua necessidade especial.


Talvez você também se interesse pelos serviços de algum dos meus colegas.

Ver colegas recomendados

Currículo

Paulo Salem, 31, é formado pela Universidade de São Paulo em Ciência da Computação e é doutor na mesma área pela Universidade de São Paulo e pela Université Paris-Sud (França). Além de tecnologia, tem grande interesse nas ciências em geral, negócios, filosofia e arte. Busca empregar esses diversos aspectos de modo coeso na criação de idéias, tecnologias e produtos que promovam o progresso. Atualmente dedica-se principalmente ao Liberalis (http://liberalis.biz), um sistema para profissionais liberais e autônomos divulgarem-se na Web.

Especialista em Ciência da Computação.

  • Educação
  • 2008 — 2011

    Doctorat

    Université Paris-Sud

    Informatique

    Bolsa CAPES. Tese realizada em co-tutela com a Universidade de São Paulo, para obtenção de duplo diploma.

  • 2006 — 2011

    Doutorado Direto

    Universidade de São Paulo

    Ciência da Computação

    Bolsista CNPq. Tese realizada em co-tutela com a Université Paris-Sud 11 (França), para obtenção de duplo diploma.

  • 2001 — 2005

    Graduação

    Universidade de São Paulo

    Bacharelado em Ciência da Computação

  • 1998 — 2000

    Colegial

    Colégio Bandeirantes

  • Experiências profissionais
  • 7/2012 —

    Liberalis

    Fundador e presidente

    Criação, desenvolvimento e gerenciamento da plataforma Liberalis.

  • 2005 — 5/2009

    Distincards

    Co-fundador

    Uma parceria com Marcelo Hashimoto, o Distincards é um site de cartões virtuais com o mote "cartões distintos para pessoas distintas." O sistema ainda está operando, mas paramos seu desenvolvimento - infelizmente, parece que não existem muitas "pessoas distintas" no mercado.

  • Publicações
  • Paulo Salem e Ana C. V. de Melo. On-the-fly verification of discrete event simulations by means of simulation purposes: Extended version. In: Simulation 8 , pp. 977 -- 1008. Sage, 2013.
  • Paulo Salem e Ana C. V. de Melo. Behaviorist Agent Architecture. In: Proceedings of the 2013 IEEE/WIC/ACM International Conferences on Intelligent Agent Technology (IAT 2013) . IEEE Computer Society, 2013.
  • Paulo Salem e Ana C. V. de Melo. An Approach for the Verification of Multi-agent Systems by Formally Guided Simulations. In: Proceedings of the 2013 IEEE/WIC/ACM International Conferences on Intelligent Agent Technology (IAT 2013) . IEEE Computer Society, 2013.
  • Paulo Salem. Verification of Behaviourist Multi-Agent Systems by means of Formally Guided Simulations. Fevereiro, 2012.       Joint thesis between the University of São Paulo and Université Paris-Sud.

    Resumo

    Multi-agent systems (MASs) can be used to model phenomena that can be decomposed into several interacting agents which exist within an environment. In particular, they can be used to model human and animal societies, for the purpose of analysing their properties by computational means. This thesis is concerned with the automated analysis of a particular kind of such social models, namely, those based on behaviourist principles, which contrasts with the more dominant cognitive approaches found in the MAS literature. The hallmark of behaviourist theories is the emphasis on the definition of behaviour in terms of the interaction between agents and their environment. In this manner, not merely reflexive actions, but also learning, drives, and emotions can be defined. More specifically, in this thesis we introduce a formal agent architecture (specified with the Z Notation) based on the Behaviour Analysis theory of B. F. Skinner, and provide a suitable formal notion of environment (based on the pi-calculus process algebra) to bring such agents together as an MAS.

    Simulation is often used to analyse MASs. The techniques involved typically consist in implementing and then simulating a MAS several times to either collect statistics or see what happens through animation. However, simulations can be used in a more verification-oriented manner if one considers that they are actually explorations of large state-spaces. In this thesis we propose a novel verification technique based on this insight, which consists in simulating a MAS in a guided way in order to check whether some hypothesis about it holds or not. To this end, we leverage the prominent position that environments have in the MASs of this thesis: the formal specification of the environment of a MAS serves to compute the possible evolutions of the MAS as a transition system, thereby establishing the state-space to be investigated. In this computation, agents are taken into account by being simulated in order to determine, at each environmental state, what their actions are. Each simulation execution is a sequence of states in this state-space, which is computed on-the-fly, as the simulation progresses.

    The hypothesis to be investigated, in turn, is given as another transition system, called a simulation purpose, which defines the desirable and undesirable simulations (e.g., ``every time the agent does X, it will do Y later''). It is then possible to check whether the MAS satisfies the simulation purpose according to a number of precisely defined notions of satisfiability. Algorithmically, this corresponds to building a synchronous product of these two transitions systems (i.e., the MAS's and the simulation purpose) on-the-fly and using it to operate a simulator. That is to say, the simulation purpose is used to guide the simulator, so that only the relevant states are actually simulated. By the end of such an algorithm, it delivers either a conclusive or an inconclusive verdict. If conclusive, it becomes known whether the MAS satisfies the simulation purpose with respect to the observations made during simulations. If inconclusive, it is possible to perform some adjustments and try again.

    In summary, then, in this thesis we provide four novel elements: (i) an agent architecture; (ii) a formal specification of the environment of these agents, so that they can be composed into an MAS; (iii) a structure to describe the property of interest, which we named simulation purpose; and (iv) a technique to formally analyse the resulting MAS with respect to a simulation purpose. These elements are implemented in a tool, called Formally Guided Simulator (FGS). Case studies executable in FGS are provided to illustrate the approach.

    Página na internet (URL)

    http://tel.archives-ouvertes.fr/tel-00656809

    Arquivos

    • Tese - versão Paris-Sud Versão francesa da minha tese de doutorado. A única diferença com relação à versão brasileira é a capa e alguns detalhes nos resumos.
    • Tese - versão USP Versão brasileira da minha tese de doutorado. A única diferença com relação à versão francesa é a capa e alguns detalhes nos resumos.
  • Paulo Salem e Ana C. V. de Melo. On-The-Fly Verification of Discrete Event Simulations by Means of Simulation Purposes. In: Proceedings of the 2011 Spring Simulation Multiconference (SpringSim'11) . The Society for Modeling and Simulation International, 2011.
  • Paulo Salem e Ana C. V. de Melo. A Formal Environment Model for Multi-Agent Systems. In: Formal Methods: Foundations and Applications , Jim Davies, Leila Silva et al. (eds.) , vol. 6527 de Lecture Notes in Computer Science , pp. 64-79. Springer Berlin / Heidelberg, 2011.
  • Paulo Salem. An Environment Specification Language for Multi-Agent Systems. Université Paris-Sud 11, Laboratoire de Recherche en Informatique, 2009.       Technical Report.
  • Alvaro Heiji Miyazawa, Paulo Salem e Ana C. V. de Melo. From Z Specifications to Java Implementations and Back. In: Proceedings of the Fifth European Conference on Model-Driven Architecture -- Traceability Workshop (EMCDA-TW 2009) , Jon Oldevik, Gøran K. Olsen et al. (eds.) , pp. 49 -- 58. Centre for Telematics and Information Technology, 2009.
  • Paulo Salem e Ana C. V. de Melo. Model Checking Merged Program Traces. In: Proceedings of the Eleventh Brazilian Symposium on Formal Methods (SBMF 2008) , vol. 240 de Electronic Notes in Theoretical Computer Science (ENTCS) , pp. 97 -- 112. Elsevier Science Publishers B. V., Amsterdam. 2009.
  • Alvaro Heiji Miyazawa, Paulo Salem e Ana C. V. de Melo. JZed-Gen: Towards Pragmatical Generation of Software from Z Specifications. In: Demonstration Track Proceedings of the Brazilian Symposium on Formal Methods . 2009.       A paper to go with a demonstration of our tool.
  • Paulo Salem e Ana C. V. de Melo. Reusing Models in Multi-Agent Simulation with Software Components. In: Proc. of 7th Int. Conf. on Autonomous Agents and Multiagent Systems (AAMAS 2008) , Padgham, Parkes et al. (eds.) , pp. 1137 -- 1144. International Foundation for Autonomous Agents and Multiagent Systems, 2008.
  • Paulo Salem e Ana C. V. de Melo. A Simulation-Oriented Formalization for a Psychological Theory. In: Proceedings of Fundamental Approaches to Software Engineering (FASE 2007) , Matthew B. Dwyer e Antonia Lopes (eds.) , vol. 4422 de Lecture Notes in Computer Science , pp. 42 -- 56. Springer-Verlag, 2007.
  • Paulo Salem e Ana C. V. de Melo. An Ontology for Mobile Agents in the Context of Formal Verification. In: OTM Confederated International Conferences Proceedings Part II , R. Meersman e Z. Tari (eds.) , vol. 3761 de Lecture Notes in Computer Science , pp. 1500 -- 1516. Springer-Verlag, 2005.
  • Conhecimentos técnicos
  • Linguagens de programação

    Conheço diversas linguagens.

    Tenho experiência em C, Java, Ruby, Octave, HTML, CSS, PHP, JavaScript. Evidentemente posso aprender qualquer outra também.

  • Métodos Formais

    Notação Z, pi-calculus, model-checking, lógicas clássicas e não-clássicas.

  • Conhecimento de línguas
  • Inglês

    Compreensão escrita: excelente; Expressão escrita: excelente; Compreensão oral: excelente; Expressão oral: excelente.

    Certificação:TOEFL iBT (116/120)

  • Francês

    Compreensão escrita: excelente; Expressão escrita: razoável; Compreensão oral: excelente; Expressão oral: boa.

    Certificação:TCF B2

    Morei em Paris durante o ano de 2009 e alguns meses de 2011, durante a preparação do meu doutorado.

Portfolio


Veja também minhas publicações.


Escolher ítem

Open Field Flow

Um simulador de sistemas de partículas no qual partículas fluem por um campo vetorial.
2012

Open Field Flow é um trabalho de arte abstrata. Mais precisamente, trata-se de um simulador de partículas no qual partículas fluem através de e interagem com um campo vetorial. Isso resulta em padrões visuais interessantes. O usuário também pode interagir com o campo vetorial diretamente com o mouse.

Este software é uma implementação independente e personalizada do trabalho pixflow #2 da LAb[au] (http://lab-au.com/). Trata-se da minha versão do conceito criado por eles, o qual conheci numa exposição de arte. No entanto, este trabalho não tem qualquer relação direta com o pixflow além de ser inspirado nele.

Você pode executar o programa diretamente do seu navegador. Basta ir nessa página e clicar em "launch":

http://www.paulosalem.com/openfieldflow/launch.html

Mais detalhes (em inglês), além do código-fonte, podem ser obtidos aqui:

http://github.com/paulosalem/open_field_flow

Localização e contato

Envie sua mensagem agora mesmo através deste site. Responderei assim que possível.

Escrever mensagem
  • Endereços
  • Escritório.

    Endereço
    Ver no mapa
    Al. Santos, 200
    São Paulo - SP
    Brasil